Caio Carrieri
Thiago Salata
Publicada em 04/07/2012 às 07:40
São Paulo (SP)
– A Arena Barueri é o nosso campo, como se estivéssemos dentro do Palestra Itália.
A frase é de Luiz Felipe Scolari, que nunca teve o estádio, fechado para reformas desde julho de 2010, como seu aliado nesta segunda passagem pelo Palmeiras. Não há lugar que se compare à “velha” casa para o palmeirense, mas Felipão e o time abraçaram a Arena Barueri nesta Copa do Brasil, como aconteceu com o Palestra na campanha do título da Libertadores de 1999.
A torcida, apesar dos insatisfeitos com a distância e dificuldade de acesso do palco desta quinta-feira, quer fazer sua parte outra vez para ver o Verdão voltar a levantar uma taça.
Festa contr ao Grêmio, na semifinal, em Barueri (Foto: Eduardo Viana)
Palmeirenses se mobilizam por meio de sites, blogs e redes sociais para o que chamam de “Corredor Alviverde”. A convocação é para que todos levem sinalizadores verdes, rojões e formem um corredor já na chegada do ônibus dos jogadores, por volta das 20h20 (jogo começa às 21h50). A ideia, óbvio, é apoiar.
“Vamos levar o Palestra até a Arena Barueri”, diz a convocação virtual. Algo parecido foi feito na semifinal, contra o Grêmio.
– Naquele jogo, debaixo de muita chuva, os torcedores foram guerreiros, como o time. Fazia tempo que não via a torcida tão feliz – elogiou o gerente César Sampaio, que foi o capitão do time na Libertadores de 1999, quando o Palestra “ferveu”.
O Palmeiras adotou a Arena na Copa do Brasil a partir das oitavas de final, contra o Paraná. Foram três jogos no torneio, com sete gols marcados e apenas um sofrido. Os atletas se sentiram em casa e pediram para a diretoria escolher a Arena como palco da decisão contra o Coxa.
A média de público no estádio, na Copa, é de 18.218 pagantes. Para a final, os 27 mil bilhetes de palmeirenses se esgotaram em 24 horas, na semana passada, via sócio-torcedor.
Há 13 anos, Felipão “transformou” o Palestra num caldeirão, unindo até mesmo a famosa Turma do Amendoim. A estratégia foi parecida na Copa do Brasil deste ano. A torcida está dando resposta. Cabe ao time corresponder dentro de campo.
Em 2008, festa no Palestra Itália, na semifinal do Paulistão de 2008 (Foto:Ari Ferreira)
Paulo Nunes: 'A pressão da torcida do Palmeiras é muito forte'
L!: Qual a influência que o Palestra tinha naquele time de 1999?
Eu sempre gostei de jogar no Palestra. Não gostava muito da grama, porque era grossa, mas os jogadores sempre pediam para a diretoria para molhá-la e, assim, deixava o jogo mais rápido. Para os atacantes era melhor. Para os zagueiros, nem tanto. O Felipão sabe trabalhar quando decide fora de casa. Ele sempre buscou fazer o primeiro resultado em casa e deixar uma vantagem para o segundo jogo.
L!: A proximidade da arquibancada era um dos diferenciais?
Isso pode influenciar para os dois lados, né? A torcida do Palmeiras é meio impaciente. Se com 20 minutos de jogo vê que a equipe não está bem, cobra. Se o jogador for sangue frio, busca mais forças. Se não for, pode sentir. Quando a torcida está a favor, é difícil para o outro time. A pressão da arquibancada é muito forte.
L!: Conhece a Arena Barueri? Ela pode “ajudar” o Palmeiras na decisão?
Conheço o estádio, é muito bonito, com um gramado excelente, baixinho para o jogo fluir. É o melhor campo que o Palmeiras poderia escolher para a final. Não tinha motivo para mudar. Nós jogamos a final da Copa do Brasil no Morumbi porque o time precisava do resultado. Então tínhamos de ter espaço. A pressão para esse jogo é muito importante. Tenho certeza que o Palmeiras vai tirar proveito disso, porque para jogar no Couto Pereira vai ser difícil.
L!: Vai assistir ao jogo?
Eu até queria ir ao estádio, mas tenho um evento do meu filho. O Palmeiras está no meu coração. Sou muito bem querido pela torcida. Torço muito pelo Felipão, que é o meu segundo pai, pelo Galeano e pelo Sampaio, que jogaram comigo. Sou palmeirense. Vestirei a camiseta para assistir ao jogo.
Contra o Grêmio, torcida já recebeu o ônibus com muita festa (Foto: Maciel Barreto/Pró-Palmeiras e Antena Verde)
Com a palavra, César Sampaio, gerente do Verdçao: 'Todo detalhe importa em uma decisão igual'
"Jogar a final em Barueri foi mais um pedido dos atletas mesmo. Todo detalhe, por menor que seja, acaba sendo importante quando se tem uma igualdade de forças numa decisão. As maiores referências são os atletas mesmo. A gente fica feliz com o apoio da torcida que temos recebido. A logística do estádio em Barueri é mais difícil para todos, inclusive para a gente. Mas a causa é maior. Eu, em um primeiro momento, pedi compreensão. Esperamos que os torcedores nos ajudem, como tem acontecido na Copa. O espírito do torcedor a gente viu também em Porto Alegre (jogo de ida da semi). Foram uns três mil contra 40 mil, foram participativos, vibrantes. Os atletas foram saudar depois do jogo. Na volta, idem. Queremos voltar a vencer, a ser campeões. Vale tudo para ajudar. O Coritiba é um adversário que vem encantando. A gente espera por uma festa bonita da nossa torcida."
Em Barueri na Copa do Brasil de 2012
Paraná (10.855 pagantes)
Logo após a trágica eliminação no Paulista, o Palmeiras foi a Curitiba e saiu vitorioso por 2 a 1. Em Barueri (SP), a estrela de Mazinho brilhou e ele marcou dois dos quatro gols na goleada por 4 a 0. Maikon Leite e Valdivia foram os outros artilheiros da noite.
Atlético-PR (17.574 pagantes)
Diante do Furacão, o Verdão empatou em 2 a 2 na capital paranaense. Na volta, a partida se manteve tensa até Luan abrir o placar na segunda etapa depois de troca de passes dentro da área. Henrique também marcou a poucos minutos do fim: 2 a 0!
Grêmio (26.225 pagantes)
Mesmo com a vantagem de ter vencido no Olímpico por 2 a 0, o Palmeiras até criou oportunidades que podiam ter mexido no marcador. No entanto, quem abriu o placar foi o Tricolor, com Fernando. Depois, Valdivia empatou e garantiu a vaga na final.
No Palestra na Libertadores de 1999
3 Vitórias
Além do jogo do título, contra os colombianos do Deportivo Cali – vitória por 2 a 1 –, o Verdão superou o River Plate (ARG) na semi (3 a 0) e o Cerro Porteño (PAR) na 1 fase (2 a 1).
2 Empates
Contra o Vasco nas oitavas de final e o Olímpia (PAR) na primeira fase, ambos em 1 a 1.
9 Gols marcados
Oséas e Alex dividem o topo da artilharia, com dois gols cada. Paulo Nunes, Júnior Baiano, Arce, Roque Júnior e Evair marcaram uma vez.
4 Gols sofridos
O mais importante: Zapata, na final.