sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Criado por rubro-negro, 'Olelê, Olalá' é cantado até por torcida do Barça

No Brasil, futebol e Carnaval andam lado a lado. Nos estádios ou nos sambódromos, as maiores paixões nacionais atraem multidões para as arquibancadas, e a alegria dos sambas entoados nos desfiles servem de inspiração para muitas canções de torcida. Quem conhece bem essa ligação é o flamenguista e compositor Adil de Paula, o "Zuzuca", criador de um dos bordões mais populares do mundo. É de sua autoria o clássico refrão: "Olelê, olalá, a Raça vem aí, e o bicho vai pegar". Zuzuca é rubro-negro, mas, antes de tudo, é compositor, e não se importa em ver sua música na boca das torcidas rivais há quarenta e dois anos (assista ao vídeo).

- Para mim, qualquer uma que cantar eu quero é mais que cante, apesar de eu ser flamenguista. Se cantar vai me ajudar. Se eu disser: "Não é isso", vou me atrapalhar. Saio de perto e deixo por conta deles, para eles cantarem, seja Flamengo, Fluminense... O futebol, principalmente, está casado com o samba. É coisa de povão, de paixão. Casa bem, samba e futebol - afirma Zuzuca.

No geral, as torcidas brasileiras apenas mudam o nome dos times e costumam manter o final, "o bicho vai pegar". A versão francesa, do Lille, diz que quem não pular não é um torcedor do time. Na Argentina, a canção serviu como um pedido de permanência para o meia Riquelme, do Boca Juniors. Mas, na Espanha, o sucesso foi maior. O samba de Zuzuca virou hino do Barcelona e ganhou clipe. Em catalão, eles bradam que ser torcedor do Barça é o que há de melhor, e se tornou tão popular que é cantada até em passeatas.

O bordão de Zuzuca é cantado por torcedores do mundo todo (Foto: Reprodução SporTV)O bordão de Zuzuca é cantado por torcedores do mundo todo (Foto: Reprodução SporTV)

O sucesso começou em 1971, quando Zuzuca era compositor do Salgueiro. A letra original, batizada de "Festa para um Rei", não tinha relação com o futebol. O refrão de letra fácil foi uma revolução para a época, e passou a ser regra, substituindo os antigos sambas enredo rebuscados.

- A história era a visita de um rei que veio ao Recife, se não me engano, para contornar um pouco os ânimos dos príncipes. Fiz o samba e botei "o lê lê, o lá lá, pega no gazê, pega no ganzá", que era para chegar no terreiro arrebentando. E não é que deu certo? - relembra.

A música foi uma das responsáveis pelo título do Salgueiro naquele ano. Ganzá é o nome de um instrumento de percussão parecido com o chocalho e a palavra ganzê foi inventada pelo compositor para rimar. Após o sucesso no Carnaval, a letra foi adaptada de acordo com o interesse de cada torcida, mas a melodia não foi modificada.

- Tudo começou no Maracanã. Daqui, saiu espalhando para o mundo afora. A torcida brasileira lá na Copa do Mundo, América do Sul toda, eu gravei samba no mundo inteiro, mais de 40 países.

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